JK/Anexo
Marconi Drummond

 

 

Ações de permanência e impermanência da arquitetura, espaço real e ficcional, constituem-se como reflexões e práticas presentes nas ações realizadas por Bruno Faria no período de residência em Belo Horizonte. Ao se deparar com a arquitetura de Oscar Niemeyer na cidade, o artista pernambucano prospecta a obra do arquiteto e cria espaços de reflexão e tensão entre o projeto, sua execução, sua função e dispersão. Num trabalho  investigativo, identifica três movimentos arquitetônicos: um cassino dos anos 40 que se transforma em museu após a proibição dos jogos de azar no Brasil, um museu projetado e não realizado no Edifício Residencial JK, datado de 1952, e um lote adjacente ao Museu de Arte da Pampulha que aguarda a implantação de um anexo.

 

Anexo configura-se como intervenção/performance, uma ação que antecipa a chegada desse futuro Museu, agora trabalhado numa proposição artística, aqui visto como um lugar para acontecimentos. O artista elabora uma estratégia para ficcionar a identidade visual, o letreiro e os souvenirs do Museu reinventado. Um empreendimento imobiliário forjado com forte apelo publicitário, estruturado com estande de vendas, documentos, brindes promocionais, maquetes, placa de sinalização, discursos, pavilhão de lançamento e inauguração da pedra fundamental.